Cabelo radical

Por Sam Al


Meu cabelo não topa meio termo. Se dá bem com produtos basiquinhos, de 15, 20 reais (Johnson infantil e Pantene daquele transparente que arranca limo de azulejo) a no máximo 40 reais (Tio Nacho), ou se arreganha pelos ultra top de linha de 200, 300 reais (Kérastase). Não me venha com John Frieda, Alfaparf, Wella, que vai ficar uma bosta. Fuén. Comparo a um cidadão “remediado”. Se tá fudido leva a vida feliz assim mesmo, cheiroso, leve e livre, uns quebrados aqui e ali, caindo e OPA, levantando, na base da dignidade. Mas se der a sorte de ganhar na Mega vai ser como se tivesse sido desmamado com caviar iraniano, talento natural pra ser podre de rico, nasceu pra comercial de shampoo e é capaz de balançar sozinho, sem vento nenhum, feito rabo de cachorro que acabou de desenterrar osso. Porém não consegue fazer o modelo de ~rico~ brasileiro cheio dos boleto que se acha a pica das galáxias porque dirige um carro importado que é do banco e mal roda por não ter grana pra esbanjar gasolina: vai ser um fracasso, uma merda, um impostor que nem beber espumante consegue, finge que gosta mas estica os olhos pro corote. Meu cabelo é um sujeito de bom gosto que se vira bem com o mínimo necessário ou se acostuma facilmente ao luxo. Nem meu cabelo suporta ser de classe média neste país.

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