Promessas de conclusão de Angra 3 voltam a ameaçar Mambucaba


O governo federal voltou a prometer, no início de dezembro, retomar as obras de construção da usina nuclear de Angra 3, na praia de Itaorna, no Litoral Sul do Rio de Janeiro.


Os moradores da outrora bucólica Mambucaba, praia vizinha à usina, mais uma vez são submetidos à ameaça do medo e da incerteza. Angra 3 começou a ser construída na ditadura militar, em 1984. A obra, porém, foi paralisada pouco tempo depois, em 1986, ano que ficou marcado pela explosão da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia. Também nesse ano de 1986 foi escrito o romance Mambucaba, obra de Lou Sampaio Garcia que inaugurou o catálogo da Terra Redonda Editora e permanece à venda no site.


Em meio a uma história de amor, Mambucaba reflete e denuncia o absurdo da construção de uma usina nuclear tecnologicamente muito insegura num dos maiores paraísos ambientais do litoral brasileiro. O relato mágico de Mambucaba permanece atual até hoje e permite, pelos caminhos da ficção, compreender porque a única saída razoável é a inutilização definitiva dessa usina.


Angra 3 é o maior mico na história das mega obras de engenharia no Brasil e um ícone da incompetência e corrupção dos militares, quando se metem com funções que estão fora de suas atribuições.


Depois de longa paralisação, a construção de Angra 3 foi retomada em 2010, com promessa de conclusão para 2014. Em 2015, bem longe da conclusão, a obra foi paralisada novamente, enquanto o então o presidente da Eletronuclear, almirante Othon Luiz Pinheiro, foi abatido pela Lava Jato. Com informações aparentemente fornecidas pelos EUA, foi denunciado, humilhado, preso e condenado a 43 anos de reclusão.


A obra de Angra 3 acumula 30 anos de paralisações e uma dívida de R$ 9 bilhões em financiamentos com bancos públicos. Ela precisaria de pelo menos mais R$ 15 bilhões para ser concluída. A Eletronuclear, braço da Eletrobrás responsável pela obra, gasta anualmente R$ 130 milhões somente na manutenção da infraestrutura e de contratos de serviços.


Os equipamentos de Angra 3 são da década de 1980 e seu projeto é considerado obsoleto por muitos especialistas. Ele não recebeu nenhuma mudança para adaptar-se aos riscos que ficaram evidenciados pelo acidente nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011.


A Eletrobras já anunciou que pretende injetar mais R$ 3,5 bilhões na obra, para atrair parceiros privados para viabilizá-la. É muito dinheiro, mas parece pouco para que a obra dê certo. Leia Mambucaba e descubra os motivos mágicos que vão continuar impedindo que essa tragédia venha a se concretizar.



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