Zeca Sampaio comenta seu livro "Tamoios: genocídio em nome de Deus"

Romance histórico lança novo olhar sobre o extermínio dos Tupinambás sob as bençãos da Companhia de Jesus.

O escritor Zeca Sampaio participou de um lançamento online de seu livro “Tamoios: genocídio em nome de Deus”, como parte das atividades do 25º Congresso do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública (IBAP). No evento, comentou que o livro é parte de uma busca pessoal de uma identidade que vem sendo apagada e invisibilizada ao longo de nossa história, que é toda nossa herança indígena.


Desde criança, conta ele, frequentou o Litoral Norte de São Paulo, território com o qual tem uma relação histórica, porque seu avô é da Ilhabela. Os caiçaras são indígenas, diz Zeca: “a pesca deles é indígena, as palavras e os nomes dos lugares são indígenas. Essa herança está aí, mas nós não conhecemos, não sabemos, nunca vimos”.


Zeca fala da vontade de conectar-se com essa origem, compartilhada com seu irmão, Lou Sampaio Garcia, falecido em 1986 e autor de Mambucaba, também publicado pela Terra Redonda Editora. Foi assim que se aproximaram e se aprofundaram na história do povo de Aimberê.


Em “Tamoios: genocídio em nome de Deus”, Zeca reconta, de um modo particular, a história da Confederação dos Tamoios. “Foi a primeira grande guerra de resistência dos povos originários contra a invasão e a colonização portuguesa. Os tupinambás do Litoral Norte de São Paulo se reuniram com outras tribos de quem eles eram originalmente inimigos, formaram uma confederação e venceram os portugueses. Eles cercaram a cidade de São Paulo, destruíram as forças de resistência dos portugueses e só não expulsaram os portugueses daqui porque eles foram enganados".


“Eles foram levados a um tratado de paz, pelo jesuítas. Quando os Tamoios se desmobilizaram, os portugueses voltaram com mais exércitos e destruíram as aldeias e os líderes todos”.


A capa do livro Tamoios é uma intervenção de Beto Borges e Sergio Alli (o sangue escorrido no tórax de Aimberê e nas mãos de Anchieta) sobre a imagem da pintura "O último tamoio" de Rodolfo Amoedo, 1883.